Os preços do ouro recuaram nas primeiras horas da sessão de sexta-feira, prolongando a tendência negativa registada na sessão anterior. Depois de o petróleo ter ultrapassado os 100 dólares por barril pela primeira vez desde maio, os receios de inflação intensificaram-se, levando os investidores a reforçarem as apostas de que as taxas de juro permanecerão elevadas durante mais tempo. A aumentar a pressão sobre o metal precioso, os dados do mercado de trabalho norte-americano divulgados na quinta-feira revelaram-se mais fortes do que o esperado, com os novos pedidos de subsídio de desemprego a caírem para o nível mais baixo dos últimos 57 anos, reforçando os argumentos para que a Reserva Federal possa voltar a aumentar as taxas de juro. Finalmente, o Presidente dos Estados Unidos anunciou uma nova ronda de tarifas abrangentes sobre as importações, reacendendo os receios de uma guerra comercial global e reforçando o estatuto do dólar norte-americano como ativo de refúgio. Neste contexto, é provável que o ouro continue sob pressão. Em particular, os investidores continuarão atentos à evolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão e ao seu impacto nas expectativas de inflação. Quanto mais tempo o conflito persistir na sua fase atual, maior será a probabilidade de as taxas de juro permanecerem elevadas, devido aos preços altos da energia, o que poderá abrir espaço para novas quedas no preço do ouro.
Ricardo Evangelista – ActivTrades

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